Flourishing VS Languishing – quando a ausência de psicopatologia não é sinónimo de saúde mental

Nos últimos anos tem-se estabelecido, gradualmente, uma mudança de paradigma no conceito de saúde mental. Esta mudança levou a Organização Mundial de Saúde a defender que a mera ausência de psicopatologia não pode ser considerada como único indicador de saúde mental.

Graças ao trabalho de inúmeros profissionais de saúde tem sido realizado um esforço para identificar, medir, e estudar, que factores estão por detrás da presença, ou, ausência, de vertentes mais positivas do funcionamento humano, como por exemplo, o bem-estar.

No seguimento desta corrente positivista, e humanista, surgem dois conceitos cunhados pelo sociólogo/psicólogo americano Corey Keyes: o Flourishing e o Languishing.

Em vários dos estudos realizados por Keyes, foram obtidos dados significativos, que apontam para que, na sociedade moderna, uma parte significativa das pessoas, que não sendo afetada por psicopatologia, tampouco apresenta índices de saúde mental positivos. Estas pessoas mostram-se incapazes de reportar emoções positivas, demonstrando, ao mesmo tempo, défices relevantes no seu funcionamento psicológico e social, e reportando poucos exemplos de momentos de bem-estar. A este “arrastar-se pela vida”, de uma forma desligada, e vazia de sentido, Keyes designou de languishing.

Do outro lado do espectro temos aqueles que se encontram num estado de vitalidade emocional, funcionando positivamente quer no domínio social, quer no domínio pessoal das suas vidas. De uma forma geral, estas pessoas reportam índices assinaláveis de bem-estar, resiliência e desenvolvimento pessoal. A este estado de “desabrochar” psicológico deu-se o nome de flourishing.

Tendo esta perspectiva em mente, é preciso salientar que, mais do que nunca, a tarefa dos profissionais de hoje em dia não se concentra apenas na elevação dos níveis de saúde mental de um ponto negativo (psicopatologia) para um ponto neutro. Existe, agora, a responsabilidade de fomentar o bem-estar do indivíduo, as suas capacidades, valores e objectivos, auxiliando-o a elevar os seus níveis de saúde mental para terreno positivo (flourishing).

Assim sendo um profissional de saúde mental moderno é mais do que apenas um “reparador” de danos causados. É também responsável pela divulgação, implementação e desenvolvimento de recursos positivos que possam permitir, ao paciente, alcançar uma melhor qualidade de vida.
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